Quem são os Bai?
O povo Bai (白族) é um grupo étnico de cerca de 1,9 milhão de pessoas concentrado em torno de Dali (大理), no Yunnan, sudoeste da China. Seu predecessor, o reino de Nanzhao (738–902), e o sucessor reino de Dali (937–1253), foram grandes potências regionais com intensas trocas com a China Tang, o Tibete e as civilizações do Sudeste Asiático.
O enigma da classificação
- Ramo sinítico — alguns estudiosos veem no Bai uma ramificação muito precoce do chinês arcaico.
- Tibeto-birmanês — outros classificam o Bai no grupo tibeto-birmanês.
- Língua isolada/ramo independente — um consenso crescente trata o Bai como ramo independente do sino-tibetano.
Como funciona o Baiwen (白文)
Como os Zhuang, os Bai usaram caracteres Han para escrever sua língua. Um mesmo caractere pode ser lido de duas formas completamente diferentes segundo o contexto. Em 1958 a RPC introduziu a romanização latina Bai Wenzi; o Baiwen sobrevive em textos religiosos e inscrições em pedra ao redor de Dali.
O esquema latino de 1958
Em 1958 a RPC introduziu o sistema de alfabeto latino Bai Wenzi (白文字), concebido por linguistas para dar uma ortografia unificada às falas bai, foneticamente variadas (os três grupos principais: Jianchuan/central, Dali/meridional e Bijiang/setentrional — os dois primeiros suficientemente próximos para os falantes se entenderem ao fim de um mês juntos, ao passo que a ISO 639-3 trata as variedades setentrionais divergentes como línguas distintas). O sistema usa diacríticos e algarismos tonais. Apesar da promoção oficial, o antigo baiwen sobrevive em textos religiosos — sobretudo no culto das divindades benzhu (本主) —, na poesia clássica e nas inscrições em pedra à volta da planície de Dali, algumas delas remontando ao próprio reino de Nanzhao.
Um espelho do contacto na sinosfera
O caso bai ilustra um padrão presente em toda a sinosfera: séculos de contacto literário continuado com o chinês clássico criaram tradições escritas ao mesmo tempo devedoras do chinês e distintas dele. Onde o zhuang inventou novos sinogramas para a sua fonologia, e o chữ Nôm vietnamita fez o mesmo para uma língua austro-asiática, o bai desenvolveu uma convenção de dupla leitura — um sinal, dois mundos.